Módulo Básico
Linguagem Radiofônica

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Matrizes da linguagem radiofônica: Sonoplastia

Costuma-se chamar de sonoplastia a arte e técnica de criar efeitos em áudio para as produções cênicas e midiáticas.

O texto oralizado do rádio conta, além da performance do  locutor e da música, com todo um aparato cênico que lhe confere plasticidade e cor.
Esta plasticidade depende exclusivamente de elementos sonoros e é o que faz o texto do rádio ser diferente do texto escrito.

Entre os elementos sonoros estão ruídos, efeitos sonoros e o silêncio.

Os ruídos são geralmente identificados com os sons naturais (como a batida de uma porta) e os efeitos especiais ou efeitos sonoros são sons produzidos artificialmente, imitando os sons naturais. Estes recursos são utilizados para “criar um clima ou  ambiente”, possibilitando ao ouvinte imaginar com mais fidelidade a cena que está sendo transmitida.

Aqui, há que se fazer uma distinção entre o que é um efeito sonoro — simulação ou recriação de um evento sonoro real — de um efeito aplicado ao som. Estes últimos são constituídos pelo processamento do áudio em dispositivos acústicos, elétricos, eletro-acústicos e eletrônicos (digitais), visando a alterar seus parâmetros originais de freqüência, intensidade, duração e timbre.   

No caso do rádio, a sonoplastia atua como um suporte para a imaginação do ouvinte, permitindo a construção de imagens mentais de fatos concretos com base nos referenciais do próprio ouvinte. Nessa mídia, podemos observar um conjunto de procedimentos técnicos relativamente simples mas de uma eficiência formidável.

Um exemplo: o urro de um monstro fictício (que pode ser um som transformado a partir da própria voz do locutor) é capaz de evocar um terror tão intenso quanto os referenciais de cada ouvinte permitam. Numa produção vídeo-cinematográfica este é um resultado muito difícil de conseguir sem o emprego de tecnologias sofisticadas, dipendiosas e mão de obra especializada (os chamados técnicos em efeitos especiais).

A ausência de som, ou seja, o silêncio, também é um recurso sonoro. Ele deve ser utilizado em situações especiais, quando é objetivo da rádio concentrar a atenção total dos ouvintes, para divulgar alguma mensagem de grande relevância. Como os ouvintes, enquanto estão com o rádio ligado, acostumam-se a ouvir som, logicamente um corte brusco desse som acaba chamando a atenção. O silêncio deve ser breve (apenas alguns segundos) e só tem efeito numa rádio que não tenha o que chamamos de “brancos” na programação (espaços sem som por falha do locutor, operador, ou de estrutura da rádio).

São duas as fontes básicas para a sonoplastia ou efeitos sonoros:

Os discos ou arquivos pré-gravados nem sempre são satisfatórios, deve-se valorizar o artista performático que é o sonoplasta.

Veja a seguir algumas dicas de como você mesmo pode produzir efeitos sonoros para incrementar seus programas de rádio.

Agora é hora de realizarmos um apanhados dos conceitos estudados com o objetivo de relacioná-los entre si por meio de uma vivência problematizadora.

Vamos à atividade 3.

 

Atividade Atividade 3
Sonoplastia: recriando uma paisagem sonora

Introdução

O conceito de paisagem sonora pode ser percebido em uma dimensão mais aprofundada neste exercício que combina percepção do ambiente e criatividade na composição de sons.  

Passo 1
Exercício
em sala de aula

  1. Com base na concepção de uma paisagem sonora definida como um “conjunto de sons que remete o ouvinte diretamente a um ambiente específico e identificável”, propõe-se a um grupo de trabalho (composto por alunos, preferencialmente) que realize uma gravação.

  2. Essa gravação pode ser de um local — uma feira livre e uma estação de trem são exemplos bem ilustrativos — ou de uma situação específica — hora do recreio na escola, anoitecer na fazenda, etc.

  3. Os recursos de gravação são os que estiverem disponíveis, tendo como parâmetro mínimo um gravador de fita analógica portátil (padrão k7).

  4. Uma vez coletado o material sonoro, ele deve ser submetido a uma escuta cuidadosa visando a anotar cada um dos eventos sonoros e sons ambientes que tenham sido registrados.

  5. O objetivo é descobrir a “receita” para se compor um ambiente sonoro reconhecível em uma produção.

  6. Uma vez isolados e compreendidos enquanto informações de áudio, os elementos sonoros anotados serão:
    1. recriados por técnicas diversas, que podem derivar de imitações com a própria voz até a transformação de outros sons com o uso de um software editor de áudio;
    2. recombinados para compor um novo ambiente que soe tão convincente quanto possível. Uma dica: na paisagem recriada pela sonoplastia, o número de elementos é menor, pois não podemos contar com a audição seletiva do dia-a-dia para assegurar a percepção clara da ambiência;
    3. finalizados e ouvidos criticamente para considerar o quanto atingiram no grau de “ilusão acústica” almejado.

Passo 2
Registro e-Proinfo

  1. Publique na Biblioteca ambas as gravações realizadas: a paisagem captada e a paisagem recriada. Não se esqueça de identificar os arquivos, com o seu nome e a atividade correspondente.
  2. Comente especificidades e descobertas do processo de trabalho.

Prazo sugerido

3 semanas.


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